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PINTURA E A MÚSICA
A arte foi definida cem mil vezes: é o belo, o verdadeiro, o bem. A música, que é um dos ramos da arte, está inteiramente no domínio da sensação.
Entendamo-nos e procuremos não ser obscuro. A sensação se produz no homem quando este compreende a arte de duas maneiras distintas, mas estreitamente ligadas; a sensação do pensamento que tem por conclusão a melancolia ou a filosofia e, depois, a sensação que pertence toda ao coração. A música, a meu ver, é a arte que vai mais diretamente ao coração. A sensação - compreendeis-me - está toda no coração; a pintura, a arquitetura, a escultura, a pintura antes de tudo, atingem muito mais a sensação cerebral. Numa palavra, a música vai do coração ao espírito, a pintura do pensamento ao coração. A exaltação religiosa criou o órgão. Na Terra, quando a poesia toca o órgão, os anjos do céu lhe respondem. Assim, a música séria, religiosa, eleva a alma e os pensamentos. A música leve faz vibrar os nervos, nada mais. Eu bem queria citar algumas personalidades, mas não tenho o direito: não estou mais na Terra. Amai o Requiem de Mozart, que o matou. Não desejo mais que os Espíritos a vossa morte pela música, entretanto, a morte viva. Aí está o esquecimento de tudo quanto é terreno, pela elevação moral. (Espírito de Lamennais - R. E. 1861).
Lamennais ou La Mennais (Felicité Robert de) - 1782-1854 - Padre e escritor francês; foi defensor da liberdade religiosa. Rompeu com a Igreja e inclinou-se para um humanismo socializante e místico. (Notas do compilador)