A POTÊNCIA SUPREMA
Apesar de sua materialidade, o perispírito
é tão eterizado que a alma não poderia atuar sobre a matéria sem o concurso
de uma força, a que se conveio em chamar fluido vital.
A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas
as faculdades a ela inerentes. Para consegui-lo, ela é obrigada a encarnar
grande número de vezes, na Terra, a fim de acendrar suas faculdades morais e
intelectuais, enquanto aprende a senhorear e governar a matéria. É mediante
uma evolução ininterrupta, a partir das formas de vida mais rudimentares, até
à condição humana, que o princípio pensante conquista, lentamente, a sua
individualidade. Chegado a esse estágio, cumpre-lhe fazer eclodir a sua
espiritualidade, dominando os instintos remanescentes da sua passagem pelas
formas inferiores, a fim de elevar-se, na série das transformações, para
destinos sempre mais altos.
As reencarnações constituem, assim sendo, uma
necessidade inelutável do progresso espiritual. Cada existência corpórea não
comporta mais do que uma parcela de esforços determinados, após os quais a
alma se encontra exausta. A morte representa, então, um repouso, uma etapa na
longa rota da eternidade. Depois, é a reencarnação novamente, a valer um como
rejuvenescimento para o Espírito em marcha. A cada renascimento, as águas do Letes*
propiciam à alma uma nova virgindade: desvanecem-se os erros, prejuízos, as
superstições do passado.
Paixões antigas, ignomínias, remorsos,
desaparecem, o esquecimento cria um novo ser,
que
se atira cheio de ardor e entusiasmo, no percurso da nova estrada. Cada
esforço redunda num progresso e cada progresso num poder sempre maior. Essas
aquisições sucessivas vão alteando a alma nos inumeráveis degraus da
perfeição.
Revelações são essas que nos fazem entrever as
perspectivas do infinito. Mostram-nos a eternidade da existência a
desenvolver-se nos esplendores do cosmo; permitem-nos melhor compreender a
justiça e bondade do imortal autor de todos os seres e de todas as coisas.
Criados iguais, todos temos as mesmas dificuldades
a vencer, as mesmas lutas a sustentar, o mesmo ideal a atingir - a felicidade
perfeita. Nenhum poder arbitrário a predestinar uns à beatitude, outros a
tormentos sem fim. Unidos, só o somos de própria consciência, pois ela é
quem, ao retornarmos ao espaço, nos aponta as faltas cometidas e os meios de as
repararmos.
Somos, assim, o árbitro soberano de nossos
destinos; cada encarnação condiciona a que lhe sucede e, malgrado a lentidão
da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente para alturas radiosas,
onde sentimos palpitar corações fraternais, e entrarmos em comunhão sempre
mais e mais íntima com a grande alma
universal - A Potência Suprema. (Gabriel Delanne - A Evolução Anímica).
Nota do compilador: Letes
=
rios dos infernos; suas águas levam o esquecimento às almas dos mortos (mit.
Grega).