O AMOR É A LEI DO ESPIRITISMO       

 

     Glória a Deus, soberano senhor de todas as coisas!

 

     Senhor, nós vos pedimos espalheis vossa santa bênção sobre esta Assembléia.

 

     Nós vos glorificamos e vos agradecemos porque vos aprouve esclarecer nosso caminho pela divina luz do Espiritismo.

 

    Graças a esta luz, a dúvida e a incredulidade desapareceram do nosso espírito e também desaparecerão do mundo; a vida futura é uma realidade e marchamos sem incertezas para o futuro que nos está reservado.

 

     Sabemos de onde vimos e para onde vamos, e porque estamos na Terra.

 

     Conhecemos a causa de nossas misérias e compreendemos que tudo é sabedoria e justiça em vossas obras.

 

     Sabemos que a morte do corpo não interrompe a vida do espírito, mas que lhe abre a verdadeira vida; que não rompe nenhuma afeição sincera; que os que nos são caros não estão perdidos para nós e que os encontraremos no mundo dos Espíritos. Sabemos que enquanto esperamos, eles estão junto de nós; que nos vêem e nos ouvem e podem continuar suas relações conosco.

 

     Ajudai-nos, Senhor, a espalhar entre os nossos irmãos da Terra, que ainda estão na ignorância, os benefícios desta santa crença, porque ela acalma todas as dores, consola os aflitos, dá-lhes coragem, resignação e esperança nas maiores amarguras da vida.

 

     Dignai-vos estender vossa misericórdia sobre os nossos irmãos mortos e sobre todos os Espíritos que se recomendam às nossas preces, seja qual for a crença que tenham tido na Terra.

 

     Fazei que o nosso pensamento benevolente leve alívio, consolação e esperança aos que sofrem.

 

     A seguir o Presidente dirige a seguinte alocução aos Espíritos:

 

     Caros Espíritos de nossos antigos colegas Jobard, Sanson, Costeau, Hobach e Poudra:

 

     Convidando-vos a esta reunião comemorativa, nosso objetivo não é apenas vos dar uma prova de nossa lembrança que, bem sabeis, é sempre cara à nossa memória; vimos, sobretudo, felicitar-vos pela posição que ocupais no mundo dos Espíritos e vos agradecer as excelentes instruções que, de vez em quando, nos vindes dar desde a vossa partida.

 

     A Sociedade se rejubila por vos saber felizes, ela se honra por vos haver contado entre os seus membros, e de vos contar agora entre os seus conselheiros do mundo invisível.

 

     Apreciamos a sabedoria de vossas comunicações e seremos sempre felizes todas as vezes que tiverdes a bondade de vir participar de nossos trabalhos.

 

     A esse testemunho de gratidão associamos todos os bons Espíritos que, habitual ou eventualmente, vêm trazer-nos o tributo de suas luzes: João Evangelista, Erasto, Lamennais, Georges, François-Nicolas-Madeleine, Santo Agostinho, Sonnet, Laluze, Viannet - cura d’Ars - Jean Raynaud, Delphine de Girardin, Mesmer e os que apenas tomam qualificação de Espírito.

 

     Devemos um particular tributo de reconhecimento ao nosso guia e presidente espiritual, que na Terra foi São Luís. Nós lhe agradecemos a bondade de ter tomado a nossa sociedade sob seu patrocínio e pelas provas evidentes de proteção, que nos tem dado. Nós lhe rogamos, igualmente, que nos assista nesta circunstância.

 

     Nosso pensamento se estende a todos os adeptos e apóstolos da nossa doutrina, que deixaram a Terra e, nomeadamente aos que nos são pessoalmente conhecidos, a saber: N. N...

 

     A todos aqueles a quem Deus permite venham ouvir-nos, dizemos:

 

     Caros irmãos em crença, que nos precedestes no mundo dos Espíritos, nós nos unimos em pensamento para vos dar um testemunho de simpatia e chamar sobre vós as bênçãos do Todo-Poderoso.

 

     Nós lhe agradecemos a graça que ele vos fez de serdes esclarecidos pela luz da verdade antes de deixardes a Terra, porque esta luz vos guiou à entrada na vida espiritual; a fé e a confiança em Deus, que ela vos deu, vos preservou da perturbação e das angústias que seguem a separação daqueles a quem afligem a dúvida e a incredulidade.

 

     Ela vos deu coragem e a resignação nas provas da vida terrena; mostrou o objetivo e a necessidade do bem, as conseqüências inevitáveis do mal e agora colheis os seus frutos.

 

     Deixastes a Terra sem pesar, sabendo que, íeis encontrar bens infinitamente mais preciosos que os que aqui deixáveis; vós a deixastes com a firme certeza de reencontrar os objetos de vossa afeição e de poder voltar em Espírito, para sustentar e consolar os que deixáveis. Enfim, estais no mundo dos Espíritos, como num país que vos era conhecido por antecipação.

 

     Estamos muito felizes por ter visto nossas crenças confirmadas por todos aqueles dentre vós que vieram comunicar-se; nenhum veio dizer que tinha sido iludido em suas esperanças e que tínhamos ilusão sobre o futuro. Ao contrário, todos disseram que o mundo invisível tinha esplendores indescritíveis e que suas esperanças tinham sido ultrapassadas.

 

     Agora, a vós, que gozais da felicidade de ter tido fé, e que recebeis a recompensa de vossa submissão à lei de Deus, de vir em auxílio dos vossos irmãos da Terra que ainda se encontram nas trevas. Sede os missionários do Espírito de verdade, para o progresso da humanidade e para o cumprimento dos desígnios do Altíssimo.

 

     Nosso pensamento não pára em nossos irmãos em Espiritismo: todos os homens são irmãos, seja qual for a sua crença.

 

     Se fôssemos exclusivos, nem seríamos Espíritas, nem cristãos. É por isto que envolvemos em nossas preces, em nossas exortações e em nossas felicitações, conforme o estado em que se achem, todos os Espíritos aos quais nossa assistência pode ser útil, tenham ou não partilhado, em vida, de nossas crenças.

 

     O conhecimento do Espiritismo não é indispensável à felicidade futura, porque não tem o privilégio de fazer eleitos. É um meio de chegar mais facilmente e mais seguramente ao objetivo, pela fé racionada, que ele dá, e à caridade, que inspira; ele ilumina o caminho, e o homem, não mais seguindo às cegas, marcha com mais segurança; pois ele melhor compreende o bem e o mal; dá mais força para praticar um e evitar o outro. Para ser agradável a Deus, basta observar suas leis, isto é, praticar a caridade, que as resume a todas. Ora, a caridade pode ser praticada por todo o mundo. Despojar-se de todos os vícios e de todas as inclinações contrárias à caridade é, pois, condição essencial da salvação. (Allan Kardec).

 

     Em seguida os médiuns se puseram à disposição dos Espíritos que quiseram manifestar-se, sem nenhuma evocação particular; dentre os vários que se manifestaram, citamos a seguinte do Espírito João Evangelista:

 

     “Meus filhos, uma estreita comunhão liga os vivos aos mortos. A morte continua a obra esboçada e não rompe os laços do coração. Esta certeza enriquece o tesouro de amor derramado na criação.

 

     Os progressos humanos obtidos a preço de sacrifícios dolorosos e de hecatombes sangrentas aproximam o homem do Verbo divino e o fazem soletrar a palavra sagrada que, caída dos lábios de Jesus, reanimou a humanidade desfalecente. O amor é a lei do Espiritismo; ele dilata o coração e faz amar ativamente aqueles que desaparecem na vaga penumbra do túmulo.

 

     O Espiritismo não é um som vão, caído dos lábios mortais e levados por um sopro: é a fé forte e severa, proclamada por Moisés no Sinai, e afirmada pelos mártires, ébrios de esperança, a lei discutida pelos filósofos inquietos e que, enfim, os Espíritos vêm proclamar.

 

     Espíritas! o grande nome de Jesus deve flutuar como uma bandeira acima de vossos ensinos. Antes que fôsseis, o Salvador levava a revelação em seu seio, e sua palavra, medida prudentemente, indicava cada uma das etapas, que hoje percorreis. Os mistérios cairão ao sopro profético que vos abre as inteligências, como outrora as mura-lhas de Jericó.

 

     Uni-vos pela intenção, como o fazeis nesta reunião abençoada. A tépida eletricidade desprendida do coração atravessa a distância que nos separa, e dissipa os vapores da dúvida, da personalidade, da indiferença, que muitas vezes obscurece a faculdade espiritual.

 

     Amai e orai por vossas obras”. (Revista Espírita de 1864) PRÓXIMA