Mas
não penses que possam os homens furtar-se às leis da natureza. O casamento é
uma delas. Outra lei é a da justiça, segundo a qual os atos maus produzem maus
resultados. O sofrimento aguarda os que se desviarem da reta senda do dever.
Ora, se podemos escolher entre o bem e o mal, porque optaremos pelo mal, que
acarreta a dor e a desgraça? Há alguns que aprendem de boa vontade; outros que
só o fazem constrangidos pelos castigos. A quem devemos imitar? Futuramente os
pais relapsos serão julgados pelos tribunais terrenos, com severidade. Casar-se
com a preocupação exclusiva de melhor gozar a vida, abandonando ao acaso os
entezinhos que concebeu, constitui um crime nefando, que deveria ser punido com
rigor pelas leis sociais. Infelizmente a maioria dos homens acha maior prazer no
vício do que na virtude. Imperfeitos que são, por vontade própria,
desculpam-se alegando que assim nasceram e acusam Deus de não os ter criado
perfeitos, como se Deus os obrigasse a praticar o mal. O mal sempre há de gerar
o mal para castigo dos maus. Habitamos o mundo que merecemos e se fôssemos
transportados para um mundo de seres imaculados e perfeitos, sentir-nos-íamos
envergonhados e constrangidos como mendigos introduzidos numa sala onde se
realiza um banquete. Esta é a verdade. Aproveitemos pois, a nossa rápida
passagem pela face do planeta para burilar nossa personalidade, a fim de que o
nosso espírito possa gozar da felicidade reservada aos eleitos.
(Espírito Victor Hugo - Zilda Gama - O Solar de Apolo).