A ESPERANÇA
Meu nome é Esperança. Sorrio à vossa entrada na vida; sigo-vos passo a passo e não vos deixo senão nos mundos onde para vós se realizam as promessas de felicidade, incessantemente murmuradas aos vossos ouvidos. Sou vossa fiel amiga; não repilais minhas inspirações: eu sou a Esperança.
Sou eu que canto através do rouxinol e que solto aos ecos das florestas essas notas lamentosas e cadenciadas que vos fazem sonhar com o céu; sou eu que inspiro à andorinha o desejo de aquecer os seus amores no abrigo de vossas moradas; brinco na brisa ligeira que acaricia os vossos cabelos; espalho aos vossos pés o suave perfume das flores dos vossos canteiros; e quase não pensais nessa amiga tão devotada! Não repilais: é a Esperança!
Tomo todas as formas para me aproximar de vós. Sou a estrela que brilha no azul; o quente raio de sol que vos vivifica; embalo as vossas noites com sonhos ridentes; expulso para longe as negras preocupações e os pensamentos sombrios; guio vossos passos para o caminho da virtude; acompanho-vos nas visitas aos pobres, aos aflitos, aos moribundos e vos inspiro palavras afetuosas e consoladoras. Não me repilais: eu sou a Esperança.
Eu sou a Esperança! Sou eu que, no inverno, faço crescer na casca dos carvalhos o musgo espesso com que os passarinhos fazem seus ninhos; sou eu que, na primavera, coroa a macieira e a amendoeira de flores rosas e brancas e as espalho sobre a terra como uma juncada celeste, que faz aspirar a mundos felizes. Estou convosco, principalmente quando sois pobres e sofredores; minha voz ressoa incessantemente aos vossos ouvidos. Não me repilais: eu sou a Esperança.
Não me repilais, porque o anjo do desespero me faz uma guerra encarniçada e se esgota em vãos esforços para junto de vós tomar o meu lugar. Nem sempre sou a mais forte; e quando ele consegue me afastar, vos envolve com suas asas fúnebres, desvia os vossos pensamentos de Deus e vos conduz ao suicídio. Uni-vos a mim para afastar sua funesta influência e deixai-vos embalar docemente em meus braços: por que sou a Esperança. (Espírito Felícia - Revista Espírita ano de 1862). PRÓXIMO