O
GRANDE ENIGMA
Há
uma finalidade, há uma Lei no Universo?
Ou
esse Universo é apenas um abismo no qual o pensamento se perde por falta de
ponto de apoio, em que gire sobre si mesmo, igual à folha morta ao influxo do
vento? Existe uma força, uma esperança, uma certeza que nos possa elevar acima
de nós mesmos a um fim superior, a um princípio, a um Ser em que se
identifiquem o bem, a verdade, a sabedoria; ou terá havido em nós e em redor
de nós apenas dúvida, incerteza e trevas?
O homem, o pensador, sonda com o olhar a vasta extensão; interroga as
profundezas do céu; procura a solução desses grandes problemas: o problema do
mundo, o problema da vida. Considera esse majestoso Universo, no qual se sente
como que mergulhado; acompanha com os olhos a carreira dos gigantes do Espaço,
sóis da noite, focos terríficos cuja luz percorre as imensidades taciturnas;
interroga esses astros, esses mundos inumeráveis, mas estes passam, mudos,
prosseguindo em seu rumo, para um fim que ninguém conhece. Silêncio esmagador
paira sobre o abismo, envolve o homem, torna esse Universo mais solene ainda.(1)
Duas
coisas, no entanto, nos aparecem à primeira vista no Universo: a matéria e o
movimento, a substância e a força. Os mundos são formados de matéria, e essa
matéria, inerte por si mesma, se move. Quem, pois, a faz mover-se? Qual é essa
força que a anima? Primeiro
problema. Mas o homem, do infinito, chama sobre si mesmo sua atenção. Essa
matéria e essa força universais, ele as encontra em si mesmo e, com elas, um
terceiro elemento, com o qual conheceu, viu e mediu os outros: a Inteligência.
Entretanto,
a inteligência humana não é, por si só, sua própria causa. Se o homem fosse
sua própria causa, poderia manter e conservar o poder da vida que está em si;
mas, em verdade, esse poder, sujeito a variações, a desfalecimentos, excede da
vontade humana.
Se
a inteligência existe no homem, deve encontrar-se nesse Universo de que faz
parte integrante. O que existe na parte deve encontrar-se no todo.
A
matéria não é mais que a vestimenta, a forma sensível e mutável, revestida
pela vida; um cadáver não pensa, nem se move. A força é um simples agente
destinado a entreter as forças vitais. É pois a inteligência que governa os
mundos.
Essa
inteligência se manifesta por leis, leis sábias e profundas, ordenadoras e
conservadoras do Universo.
Obra: O Grande Enigma -