OS MUNDOS ENVELHECEM

 

     Os mundos se esgotam envelhecendo e tendem a dissolver-se para servir de elementos de formação de outros universos. Devolvem, pouco a pouco, ao fluido cósmico universal do espaço o que haviam tirado para se formar. Além disso todos os corpos se gastam pelo atrito; o movimento rápido e incessante do globo através do fluido cósmico tem por efeito diminuir constantemente a massa, posto que numa quantidade inapreciável num dado tempo.

 

     Em minha opinião a existência dos mundos pode dividir-se em três períodos: Primeiro período: Condensação da matéria, durante o qual o volume do globo diminui consideravelmente, mas a massa continua a mesma; é o período da infância. Segundo período: Contração, solidificação da crosta, surgimento dos germes, desenvolvimento da vida até o aparecimento do tipo mais perfectível. Nesse momento o globo está em toda a sua plenitude: é a idade da virilidade; perde, mas muito pouco, seus elementos constitutivos. À medida que seus habitantes progridem espiritualmente, ele passa ao período de diminuição material; perde, não só por causa do atrito, mas também pela desagregação das moléculas, como uma pedra dura que, ruída pelo tempo, acaba por virar poeira. Em seu duplo movimento de rotação e de translação, deixa no espaço parcelas fluidificadas de sua substância, até o momento em que a sua destruição for completa.

 

     Mas então, como a força atrativa está na razão da massa, - eu não digo do volume - diminuindo a massa, suas condições de equilíbrio no espaço se modificam; dominado por globos mais poderosos, aos quais não pode constituir contrapeso, produzem-se desvios em seus movimentos, em sua posição em relação ao sol; sofre novas influências e daí nascem mudanças nas condições de existências de seus habitantes, a espera que ele desapareça do cenário do mundo.

 

     Assim, nascimento, vida e morte; infância, virilidade e decrepitude, tais são as três fases pelas quais passa toda aglomeração de matéria orgânica ou inorgânica. Só o espírito, que não é matéria, é indestrutível. (Espírito de Galileu - Revista Espírita de 1868).

 

OBS.: Em que se tornam os habitantes de um mundo destruído? Fazem o que fazem os moradores de uma casa em demolição: vão morar alhures, em melhores condições. Para eles os globos não passam de estações temporárias; mas é provável que quando um globo tenha chegado a seu período de destruição, desde longa data tenha cessado de ser habitado, porque, então, já não pode fornecer elementos necessários à manutenção da vida. Tudo é problema insolúvel na natureza, desde que se faça abstração do elemento espiritual; tudo se explica, ao contrário, claramente e logicamente, desde que se leve em conta este elemento. É de notar que, conforme a ordem de idéias expressas na comunicação acima, o fim de um mundo coincidiria com a maior soma de progresso de seus habitantes, compatível com a natureza desse mundo, em vez de ser o sinal de uma reprovação que votaria a maior parte à danação eterna. (Allan Kardec). PRÓXIMA