NOSSO MUNDO PASSEIA NO SILÊNCIO
A
Terra voga sem ruído na extensão. Essa massa de dez mil léguas de circuito
desliza sobre as ondas do éter qual um pássaro no Espaço, qual um mosquito na
luz. Nada denuncia sua marcha imponente. Nenhum ranger de rodas, nenhum
murmúrio de vagas sob seus flancos. Silenciosa, ela passa, rola entre suas
irmãs do céu. Toda a potente máquina do Universo se agita; os milhões de
sóis e de mundos que a compõem, mundos perto dos quais o nosso vale por uma
criança, todos se deslocam, se entrecruzam, prosseguem suas evoluções com
velocidades aterradoras, sem que som algum ou qualquer choque venha trair a
ação desse gigantesco aparelho. O Universo continua calmo. É o equilíbrio
absoluto; é a majestade de um poder misterioso, de uma Inteligência que não
se impõe, que se esconde no seio das coisas, e cuja presença se revela ao
pensamento e ao coração, e que atrai o pesquisador qual a vertigem do abismo.
Se a Terra evolucionasse com estrondo; se o mecanismo do mundo se regulasse com
fracasso, os homens, aterrorizados, curvar-se-iam e creriam. Mas, não! A obra
formidável se executa sem esforço. Globos
e sóis flutuam no Infinito, livres como plumas sob a brisa. Avante,
sempre avante!
(Léon Denis - Obra: O Grande Enigma)