O ÓDIO É A SEPULTURA DA VIDA

     Viandantes da vida! Só o amor deixa marcas indeléveis por onde passa! Quem alimenta o ódio não constrói, caminha num deserto, imprime pegadas na areia durante o dia, para vê-las apagadas, em seguida, desfeitas pela aragem da noite. Plasmemos o máximo de amor na essência dos menores gestos. Jamais enrijemos e nem tempestuemos os pensamentos com as idéias fixas do mal que habitualmente se exteriorizam de nós, em espículos1 envenenados de angústia, sob a ardência das provas remissoras. Depende de vós o tempo e a alegria que vivereis entre a fralda e a mortalha.

     De página em página, no livro do tempo, é fácil visualizar, nas vidas terrestres, a transitoriedade de todos os fastos do orgulho e de todas as afirmações dogmáticas que se agitaram em fúria. Erguei a inteligência para o Grande Todo! Nutri-vos na seiva da humildade onipresente, no regaço do Infinito. Sim! Deus é humilde. Humildes, as Suas Obras. Humildes serão um dia os Seus Filhos. Cultivemos, de nossa parte, humildade real. Humildade de quem reconhece ter vivido a bagatela de milhões de vidas sucessivas, perante a grandeza imorredoura de tudo o que encontramos existindo, quando descobrimos que existíamos... Sintamo-nos felizes por integrar a ilimitada assembléia dos súditos do Criador, mas guardemos, acima de tudo, o propósito infatigável de nos aproximarmos de Seus excelsos atributos. Exculpemos a inconsciência de quantos arremetem contra si próprios, acreditando investir contra alguém.

     Nos mergulhos intermitentes através da matéria, cada espírito é desafiado a agir à feição do raio de sol que se esgueira por entre nuvens, diligenciando avançar com a própria luz. Porfiemos, seguindo para além dos bulcões2 da impiedade e da incompreensão, na certeza de que não existem sombras inextinguíveis, à frente da eternidade atribuída a nós mesmos. Liqüefazem-se todas as nuvens em chuvas renovadoras, sob a ventania da experiência. Imprimi em vossos passos, o selo da Complacência Divina com que fostes criados. O amor é princípio inviolável do Universo, o eterno presente; o ódio, a sepultura da vida. Deus é irresistível na sabedoria e na caridade com que nos contagiou os destinos. Sede bons. Sede humildes. Sede perdoadores! Amor recíproco em ondas de ternura, de alma para alma, no seio da Humanidade, eis um desígnio fatal como todos os desígnios do Pai, ante o futuro!

     A eternidade é a idade real de todos, a carne - simples rótulo da alma - a Espiritualidade - a nossa procedência e o nosso destino inevitáveis. (Espírito de Honoré de Balzac - Cristo Espera por Ti).

NOTAS DO COMPILADOR: 1 - Espículo = ponta, ferrão; 2 - bulcões = nevoeiro espesso, nuvem de fumo

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