PEDRA TUMULAR DE ALLAN KARDEC
Na reunião da Sociedade de Paris que se seguiu imediatamente às exéquias do Sr. Allan Kardec, os espíritas presentes, membros da Sociedade e outros, emitiram a opinião unânime de que um monumento, testemunha da simpatia e do reconhecimento dos espíritas em geral, fosse edificado para honrar a memória do coordenador de nossa Filosofia. Um grande número de nossos aderentes da província e do estrangeiro se associaram a este pensamento. Mas o exame da proposição teve necessariamente de ser retardado, porque convinha verificar primeiro se o Sr. Allan Kardec havia feito disposições a tal respeito e quais eram essas disposições.
Tudo bem examinado, nada mais se opondo ao estudo da questão, a comissão, depois de madura reflexão, deteve-se, salvo modificação, numa decisão que, permitindo satisfazer ao anseio legítimo dos espíritas, lhe parece harmonizar-se com o caráter bem conhecido do nosso saudoso presidente.
É bem evidente para nós, como para todos os que o conheceram, que o Sr. Allan Kardec, como Espírito, não se interessa de modo algum, por uma manifestação deste gênero, mas o homem se apaga, neste caso, diante do chefe da doutrina, e o exige a dignidade, direi mais, o dever daqueles que ele consolou e esclareceu, que se consagre por um monumento imperecível o lugar onde repousam os seus restos mortais.
Seja qual for o nome que a designou, é fora de dúvida para todos os que estudaram um pouco a questão e para os nossos próprios adversários, que a doutrina espírita existiu por toda a Antigüidade, e isto é muito natural, pois ela repousa nas leis da Natureza, tão antigas quanto o mundo; mas também é evidente que, de todas as crenças antigas, é ainda o Druidismo, praticado por nossos antepassados, os Gauleses, a que mais se aproxima de nossa Filosofia atual. Também é nos monumentos funerários que cobrem o solo da antiga Bretanha que a comissão reconheceu a mais perfeita expressão do caráter do homem e da obra que se tratava de simbolizar.
O homem era a simplicidade encarnada; e se a doutrina é, ela própria, simples como tudo quanto é verdadeiro, é tão indestrutível quanto as leis eternas sobre as quais repousa.
O monumento se comporia, pois, de duas pedras de granito bruto, eretas, encimadas por uma terceira, repousando obliquamente sobre as duas primeiras, numa palavra, de um dólmen. Na face inferior da pedra superior seria gravado simplesmente o nome de Allan Kardec, com esta epígrafe: Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.
Esta proposição, acolhida por sinais unânimes de assentimento dos membros da Sociedade de Paris, nos pareceu que devia ser levada ao conhecimento dos nossos leitores. Não sendo o monumento apenas a representação dos sentimentos da Sociedade de Paris, mas dos espíritas em geral, cada um devia ser posto em condições de apreciá-lo e para ele concorrer. (Revista Espírita de junho de 1869). PRÓXIMA
OBSERVAÇÃO DO COMPILADOR: Este artigo foi redigido por colaboradores de Allan Kardec que havia desencarnado em 31 de março desse mesmo ano de 1969.